Primeiras palavras

Nunca sei o que dizer. Não tenho certeza sobre o motivo de estar aqui. Mas estou aqui e escrevi alguma coisa qualquer. Falta aquela vontade de andar por aí – e isso é raro -, acabei encontrando outra espécie de entretenimento, enquanto as horas vão passando e não quero mais ouvir, nem ler, as vozes. É claro que a mão, ou melhor, os dedos, vão cada vez mais ficando gelados, até doer de verdade, como se tivesse martelado esses membros nem sempre tão úteis. Há outras coisas para fazer, mas não quero: não instalei umas prateleiras que ainda estão dentro da caixa. Vou esperar um dia mais quente, vou esperar um sábado, vou esperar um sábado quente. Uma hora mais propícia. Aí sim precisarei de um martelo, de força e de uma dose de paciência. Eu preciso das prateleiras, senão não teria comprado, tanta coisa para ser arrumada, mesmo nessa casa sem tanta coisa assim. Pensando bem, o frio parece ter uma relação com acumular. Minha alegria nesses dias, aqueles que passaram, da chuva que não acabava, do sol escondido, do vento bem sutil, era apreciar um pouco dessa vida que desperdiçamos. Fui ao parque em uma quinta pela manhã. Andei pelas alamedas alagadas, fiquei vendo a pouca gente que passava: gosto de pensar para onde vão, enquanto eu, fico ali, de tocaia, parado, curtindo o vento e a chuva, esperando, não indo a lugar algum.

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